o Anjo Azul
Marlene Dietrich canta um lamento
para o amor mecânico.
Encosta-se a uma árvore de papelão
num planalto à beira-mar.
É um brinquedo em tamanho natural,
a boneca da eternidade;
O seu cabelo tem a forma de um chapéu abstracto
fabricado em aço branco.
O sua face é empoada, caiada e
imóvel como um robô.
Projectando-se fora da sua têmpora, por um olho,
está uma pequena chave branca.
Olha através das pupilas azuis opacas
definidas no branco dos seus olhos.
Fecha-os, e a chave
roda por si mesma.
Abre os olhos, e ficam em branco
como uma estátua num museu.
A sua máquina começa a mover-se, a chave roda
de novo, os seus olhos mudam, canta
- pensarias que teria engendrado um plano
para terminar a moagem interna,
mas só até ter encontrado um homem
para ocupar a minha mente.
Empty Mirror: Gates of Wrath (1947-1952)
Collected Poems 1947-1997
© 2006 Allen Ginsberg Trust
(HarperCollins Publishers e-books)
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa