Poema de Amor sob Tema de Walt Whitman

Vou para o quarto em silêncio e deito-me entre o noivo e a noiva,
esses corpos alongados caídos do céu esperando nus e inquietos, 
os braços descansando sobre os olhos na escuridão,
enterram o meu rosto em seus ombros e seios, respirando a sua pele,
e acariciam e beijam o pescoço e a boca e oferecem as costas abertas e conhecidas,
pernas entortadas e erguidas para receber, o pau orientado e atormentado na escuridão e atacando
desperto do buraco com comichão na cabeça,
os corpos agarrados estremecendo nus, quadris e nádegas quentes aparafusados uns nos outros
e os olhos, olhos brilhantes e encantadores, alargando-se em olhares e abandono,
e gemidos de movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos húmidas nos quadris amolecidos, contracção latejante de barrigas
até que o branco venha fluir nos lençois rodopiantes,
e a noiva chore por perdão, e o noivo coberto de lágrimas de paixão e
    compaixão,
e ergo-me da cama robustecido com os últimos gestos íntimos e beijos de despedida -
antes que a mente desperte, atrás de sombras e portas fechadas numa casa escura
onde os habitantes vagam insatisfeitos durante a noite,
fantasmas nus procurando-se no silêncio. 


  

Desenho de Robert LaVigne, São Francisco, 1954




The Green Automobile (1953-1954)
Collected Poems 1947-1997
© 2006 Allen Ginsberg Trust
(HarperCollins Publishers e-books)
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa   

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