Visão 1948
Espírito em mim temeroso que tento
Com palavras escritas conjurar,
Ouve o meu apelo, por fim responde
À minha caneta impotente:
Devo suportar e nunca pôr à prova
Tu mesmo e eu unidos no amor,
Diz-me, espírito, diz-me, Ó então o quê?
E se não é amor, então, outra paixão
Que passe por mim em imagem:
Sombra, sombra e cega visão.
Rugido mudo do branco transe,
Sombra extática de raiva,
Poder fora de passagem.
Dança, dança, espírito, espírito, dança!
É minha fantasia que o mundo se aquieta,
Tão gentil em seu sonho?
Lá fora, grandes Harlems da vontade
Movem-se sob o sono negro:
Se bem que, no grito espiritual,
Os saxofones a mim iguais
Em loucura te chamem das profundezas.
Estremeço de inteligência e
Acordo na luz profunda
E ouço uma imensa maquinaria
Descendo sem som,
Intolerável para mim, demasiado viva,
E abalado com a visão
O olho fica cego antes que o mundo gire.
Empty Mirror: Gates of Wrath (1947-1952)
Collected Poems 1947-1997
© 2006 Allen Ginsberg Trust
(HarperCollins Publishers e-books)
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa