Carta Revolucionária #7

há aqueles que te dizem 
como fazer coquetéis molotov, lança-chamas,
bombas quaisquer que sejam,
ainda podes vir a necessitar, 
encontra-os e aprende, define
o teu objetivo claramente, escolhe a tua munição
com isso em mente  

não é boa ideia transportar uma arma
ou uma faca 
a menos que sejas perito em seu uso,
todas as espadas têm dois gumes, podem ser usadas contra ti  

por qualquer um que possa roubar-te, 
mas é
possível mesmo sendo na costa leste
encontrar um local isolado para praticar tiro ao alvo 
com sucesso, o que
dependerá sobretudo do teu estado de espírito:
meditar, rezar, fazer amor, estar preparado
a qualquer momento, para morrer
mas não fiques tenso: as armas
não ganharão desta vez, são apenas
uma parte acidental da acção
em que é melhor sermos bons,
o que vai ganhar
são os mantras, o sustento que damos uns aos outros,
a energia em que nos conectamos
              (o facto de nos tocarmos
               partilharmos comida)
a natureza de buda
em cada um, amigos e inimigos, como um milhão de minhocas
abrindo túneis sob esta estrutura
até cairem




Revolutionary Letters | Diane di Prima
© 1971, 1974, 1979, 2005 Diane di Prima
Last Gasp of San Francisco, 2005.
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

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