A Mulher Que Era Água
A mulher que era água
vivia nos cantos dos quartossabia quando se retirar.
A mulher que era água
veio para Brooklyn
e encheu todos os porões.
A mulher que era água
deixou todos os seus amantes
imaculados
A mulher que era água
insistiu que ninguém a entendia
viu-se gentil como a névoa
uma manhã com pérolas de chuva, uma doce neblina lilás.
Então, quando bateu contra as telhas,
roeu as fundações
rebentou nos canos,
sabia que estava a oferecer amor.
Por que as gentes o rejeitavam?
A mulher que era água
não era analítica.
Sabia três coisas:
Não poderiam aprovar leis contra ela.
Não poderiam declará-la inofensiva.
Não poderiam existir sem ela.
A mulher que era água
poderia alimentar uma cidade
ou afogá-la.
Enid Dame
Selected Poems of Post-Beat Poets
Edited by © 2008 Vernon Frazer
Originally published in Chinese by
Shanghai Century Publications, China
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa