Cães Loucos de Trieste
(para Andy Clausen)
Nunca estivemos numa guerra como esta
durante todos os anos assistimos
na rua às 3 da manhã,
a crianças lançando bombas de cereja em latas de lixo
às últimas prostitutas que vão para casa
Tinha o hábito de parar nos cafés do Les Halles
à noite poderíamos encontrar os homens
fortes do mercado
e as belas prostitutas
nos braços uns dos outros
Le Chat Qui Peche, Le Chien Qui Fume
ao som de valsas parisienses, as mãos nas nádegas
Poderíamos recolher produtos crus de caixas descartáveis
e ter ensopado de lentilha para amanhã
Mas nunca foi assim.
Polícias enfrentam adolescentes na praça do village
agarram os mais dóceis para amantes e arrastam os outros
pelas rampas do encarceramento
Os cães loucos de Trieste
com que contávamos para derrubar os mortos
e o status quo apodrecido, dão um empurrão aqui
e ali, saqueadores da ordem obesa e calcificada,
foram-se apagando como estórias
Costumávamos segurá-los com a aba do chapéu
mantendo a maior parte do rosto na sombra
e às vezes essas vozes
uma a uma
transformavam-se em ondas
como cigarras nas árvores de Agosto, assobiando,
recuando, e as palavras rastejavam sob
as cortinas do poder, faziam pequenas mudanças,
dosavam o equilíbrio frágil e traziam alívio
Essas matilhas não cruzam os boulevards
nas cidades antigas agora, nenhuma cabala política
por trás de nós observa o mundo com
olhos inteiramente
conscientes
das vozes líricas, dos corpos arco-íris,
os teus amigos, os meus amigos, ninguém escapou
além dos cães loucos de Trieste
enquanto as ruas cruzamos.
Janine Pomme Vega
Selected Poems of Post-Beat Poets
Edited by © 2008 Vernon Frazer
Shanghai Century Publications, China
Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa